quinta-feira, 27 de abril de 2017

Ele, O Boto - Parte 1/5

No céu negro sob os arredores de Belém, pelas margens do Atlântico, uma lua cheia faiscava, solitária e fúlgida, propícia ao adultério em todas as posições e maneiras. Nas proximidades do casebre carcomido de Solange, era possível ouvir o seu gemido profundo, agudo, prazeroso. O marido, João, estava no mar, em plena madrugada, pescando, enquanto a esposa, devotada mulher religiosa, entregava-se a um desconhecido bem-dotado. O filho do casal, Jeremias, ouvia os gemidos chorosos da mãe no quarto ao lado, com a mão socada dentro da calça, masturbando seu grosso e vistoso pênis velozmente.

O misterioso homem que deitava-se com Solange, Gerusa, Maria e outras tantas, nas madrugadas quando os maridos cornos e velhos se ausentavam, era bonito e desejado por todas as moças. Alto, de pele nem branca nem morena, corada. Pela extensão areenta das praias corria livre, completamente nu; nas festas e festivais comparecia sempre trajado de fidalgo, galante e provocador, em um terno de linho branco com chapéu fedora de mesma cor. Quem poderia desconfiar, afinal, do belíssimo homem?

Seu físico era extraordinário. Chamavam-no de Boto, as mulheres. Boto pela repentina aparição nas casas, sempre nu e erótico. Também pela doce e envolvente companhia que era. Ainda, pela virilidade superior a dos maridos pescadores, quais as esposas suportavam. As mulheres gostavam de tê-lo encaixado entre as pernas contraídas, sentir dele dor. Pudera! Gemiam a plenos pulmões a noite toda quando em sua companhia.

Na manhã seguinte, Solange trauteava uma cantiga qual personagem era justamente o boto. Jeremias surgiu na porta, sem camisa, espreguiçou-se e abancou para tomar o café, de olho no vaivém feliz da mãe. João vinha do mar com a rede nos ombros, esgotado. Queria apenas o almoço pronto e a rede de dormir atada no quarto. Chegou, tinha nada disso.

Olhou rispidamente a mulher de cima a baixo, que engoliu a canção. Jeremias entendeu o olhar do pai e evadiu-se depressa dali. João sentou-se bruscamente. Tinha os olhos faiscando de ira. "Caralho! Pra que que tu serve, diabo de mulher?" inquiriu, quase berrando. Foi-se para o quarto, embrutecido. Solange retornou a cantoria, escorando-se ao parapeito da janela e olhando fixamente o horizonte do mar.

Jeremias entrou no mictório, no fundo da casa. Desabotoou a calça jeans e baixou a cueca. Admirou-se por um tempo. Depois passou a mão pela pelugem quebradiça de sua virilha, deixando a mão percorrer o pau grosso desde a base até a cabeça avermelhada. Pôs-se a masturbar-se. Por um momento, imaginou-se enterrando seu largo membro na vagina virgem e delicada de alguma moça que poderia estuprar, mas logo parou de pensar.

Invejou a virilidade afamada do sensual boto que nunca viu. "Será que o pau dele é maior ainda que o meu?" indagava-se, um tanto aborrecido. Jeremias tinha orgulho do próprio pênis, acreditava ser muito grande. De fato era, mas não o maior e nem o melhor. "Será que com o que tenho posso fazer uma mulher gemer tão alto daquele jeito?" tornou a perguntar a si próprio quando ouviu batidas na porta do banheiro rudimentar e vestiu-se afobado.

Era seu pai. Arrancou-o para fora de lá num puxão brusco. Evidentemente apertado, tirou depessa o pau para fora da fenda do zíper e um segundo depois um jato forte de urina atravessava o buraco entalhado no chão do mictório. Jeremias não deixou de ver o tamanho do pau atrofiado do pai e um riso surgiu-lhe, não no rosto, mas em pensamento. "Pelo menos do meu pai eu ganho!" pensou consigo o corpulento rapaz, indo embora.

De noite, na solidão silenciosa do quarto, Jeremias, deitado, apoiou a mão sob a cabeça e tornou a admirar seu próprio pênis, enfadonho. Balbuciou, lembrando do pintinho do pai João:

― Não há outro maior que esse meu ― convenceu-se ―, e serei mais afamado e desejado que esse tal de boto.

Quase que simultâneo as suas palavras, Jeremias ouviu alguns gemidos surdos da mãe na cama com o pai. Eram gemidos abafados, mais baixos e menos cheios de prazer que os que ouviu na noite anterior. Pareciam ganidos.

― Com aquele piruzinho que tem nunca vai fazer ninguém gemer alto! ― disse ainda o jovem moreno, deixando a mão percorrer vagarosa ao longo do pau grosso enquanto ouvia os lamentos abafados da mãe.

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Continua...

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