sábado, 18 de junho de 2016

Pistoleiro do Texas - Parte 1/5

Texto: Jesús Blasco

A diligência estava chegando a Dallas, a nordeste do Texas. Assim que atravessou uma estreita garganta de paredes íngrimes e altivas, foi brutalmente parada por uma matula bem armada. Eram bandoleiros chefiados por "El Diablo", um mexicano gordo de olhar gélido e amedrontador.

Já com o condutor de mãos erguidas para o céu, o líder do bando ordenou que saíssem da diligência todos os passageiros, um por um. De dentro do veículo não esperaram uma segunda ordem. Saíram de lá uma senhora apertando sua bolsa contra o busto, espavorida, e dois cavalheiros sendo um deles Jhony Wally, um almofadinha aspirante a pintor britânico e o outro, um advogado de Austin.

Desceu do cavalo e foi ao encontro dos viajantes um rapaz altivo do bando, cabeleira loura sob as abas marrons do chapéu de vaqueiro; olhar profundo, azul, ríspido, contraído pelo peso das sombrancelhas grossas e marcantes. A camisa entreaberta exibia as curvas sinuosas de seus músculos peitorais e abdômen como uma introdução ao seu corpo varonil.

Impressa na calça jeans justa e encardida, sua bunda carnuda movia-se com o passar resoluto das pernas. Afivelado à cintura musculosa, dois colts pendidos pelos respectivos coldres, dando-lhe ares perigosos de pistoleiro profissional. Chamava-se Bob Carson, o celerado louro.

Caminhou até a senhora lentamente, estampando um riso zombeteiro no rosto de traços viris e lisos. Furtou-lhe a bolsa com um puxão! "Dá-me cá isso, galinha!" riu-se depois, com o azul dos olhos a cintilar contra o sol forte do deserto. A mulher pôs-se a chorar baixinho, consolada por Jhony. Furtou o segundo viajante e finalmente chegou ao pintor inglês.

Olhou-o profundamente nos olhos, frigidamente. Jhony suspirou fundo, nervoso, fixo no bandoleiro. Por um tempo permaneceu estático, como imerso no azul oceânico dos olhos do jovem Bob. Tornou a si logo depois quando era percorrido pela mãos rápidas deste que buscava no seu corpo qualquer objeto de valor.

Antes que o louro terminasse de revistar o almofadinha, ouviu-se o sibilo inconfundível de uma flecha que atravessou o ar e cravou-se no peito do condutor da diligência que, após um gemido surdo, caiu morto ao chão.

-- Os índios! -- berrou um bandoleiro, dando o alarma.

No entanto, antes que todos pudessem de fato se preparar e fugir, uma segunda flecha cortou o ar e atravessou impiedosa o pescoço do advogado, abatendo-o também. Todos do bando montaram seus cavalos. Recuaram. Na confusão, Jhony montou junto do louro viril, enlaçando com os braços o seu tronco forte e fugindo disparados dali; a senhora fora largada à própria sorte junto dos cadáveres.

•••

Naquele ínterim, os índios revelaram-se em massa atrás de uma colina. Iniciaram sua perseguição aos bandoleiros de "El Diablo" atirando flechas e disparando tiros de rifle contra os adversários. Seus alvos eram os cavalos: se abatessem os cavalos, poriam as mãos nos bandoleiros vivos, podendo assim estupra-los, tortura-los e no fim, escalpa-los.

Proveniente do tiroteio que surgiu, um dos projéteis indígenas derrubou o animal onde fugiam Bob e o pintor. Ambos rolaram ao chão por um instante, pondo-se de pé pouco depois. Bob, ciente do perigo iminente, agarrou o inglês pelo braço e o arrastou numa corrida. "Vamonos! Temos que chegar ao Rio Trinity!" ofegava o jovem louro a Jhony Wally.

Alguns índios separaram-se de seu grupo e seguiram no encalço da dupla, porém pouco depois, os dois saltaram de um precipício caindo nas águas agitadas do Trinity. Seus perseguidores desistiram de sua caçada e, ao não ve-los emergir, voltaram a unir-se ao resto dos índios.

O louro Bob e o delicado Jhony Wally salvaram-se com sequer um arranhão. Abrigaram-se numa gruta, esculpida numa margem rochosa do rio. Ali Bob pôde despir-se e pôr as roupas para secar. O intimidado Jhony permaneceu dentro das vestes umedecidas, deixando-as secar ao próprio corpo.

Ao ver seu companheiro desnudo, como veio ao mundo, com o mastro flácido bailando entre as pernas, o pintor mal tirava os olhos do belo corpo do louro. "Este caubói rude é uma autêntica obra de arte do velho oeste!" pensava consigo, admirado pela superioridade viril do bandido. Notando o entusiasmo do pintor:

-- Nunca viu uma rola na vida? -- riu-se Bob, tirando a água de sua bota.

O inglês corou. Abaixou a cabeça, mas depois a ergueu para o homem nu novamente. Logo, imerso em seus devaneios sobre o dote ereto do bandoleiro louro, sobre sua flacidez testicular, sobre seus pêlos pubianos igualmente louros, continuou roçando pedras umas nas outras, fingindo querer acender uma fogueira quando na verdade sequer sabia como agir.

•••

Bob aproximou-se. Tomou as pedras de suas mãos e as atirou longe no rio. Inconformado, Jhony levantou-se do chão e pôs-se a reclamar da atitude de Bob, em demasia. Este, como resposta, virou-se e impingiu um tapa violento no rosto do pintor que caíra sentado aos seus pés. "Diabo! Como fala! Nunca acenderia nada com aquilo!", irritou-se o curvilíneo Bob Carson.

Jhony, surpreso com o tapa forte que lhe ardeu na face, permaneceu sentado, assistindo o vaivém constante do bandido. Admirava suas costas largas, por onde escorriam-se algumas gotas de água até as nádegas carnudas. Seu peitoral forte, suas axilas louras, suas pernas e braços, nada escapava aos olhos do artista inglês. "Que homem maravilhoso! Hei de pinta-lo um dia, com todo o seu esplendor viril!" balbuciou Jhony, ainda sentindo no rosto a força daquela bofetada.

Àquela noite, uma chuva diluviana caiu sobre as margens do Trinity. As roupas sequer tiveram tempo de secar ao sol que logo desaparecera dando lugar as nuvens enegrecidas. Bob, sem esforço, acendeu dentro da gruta uma robusta fogueira que apagava-se vagarosamente e deitou-se perto dela, ainda completamente nu.

Usando as mãos confortavelmente como encosto para a cabeça, o pistoleiro dormiu um pouco aquecido pelo rescaldo aconchegante provindo do fogo, acordando logo depois com o pintor tremendo-se de frio.

-- Tire estas roupas molhadas ou vai morrer friorento, aí no canto!

-- Se tirá-las sim é que morrerei.

-- Nada disso! Venha para perto de mim!

Obediente ao louro, Jhony livrou-se das calças, casaco, colete, meias, botas e, mesmo que relutasse, da ceroula. Aproximou-se da fogueira, qual estava esticado o louro, cobrindo seu membro atrofiado com as mãos. Naquele momento uma rajada inesperada de vento frio invadiu o interior da gruta, fazendo bruxulear a fogueira, que quase se apagou. Bob, após sentar ao chão, reavivou os gravetos chamejantes ordenando ao pintor, com sua voz possante:

-- Deite-se sobre o meu corpo, assim, vamos sobreviver até amanhã!

Tornou a obedecê-lo, o pintor passivo. Apoiou a cabeça sobre o peito quente do pistoleiro nu, encaixando o pescoço em sua axila e partilhando de seu calor imprescindível. Seus braços abraçaram-no, englobando seu peitoral parcialmente peludo. Pelinhos louros, lisos, quase invisíveis. Com o contato físico viu o pênis do bandoleiro enrijar-se, dobrando de tamanho, com espanto e entusiasmo, alumiado pelo fogo. Notou ainda que o cheiro do pistoleiro era bom, um tanto suado, mas bom, e assim adormeceu sobre cada músculo do seu corpo rústico.

[...]


Continua na próxima publicação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário