sexta-feira, 13 de maio de 2016

Hauam, O Negro Egípcio - Parte 3/3

Continuação da publicação anterior:

Naquela madrugada estrelada o rei Sahalli não conseguia sentar-se ao trono. Ficou de pé. Tramou com seus soldados mais fiéis um plano de captura de seu vizir Goldas. Ao seu lado estava seu amante, que há pouco havia-lhe destroçado o traseiro.

No alvorecer seguinte, todo o reino era vasculhado pelas patrulhas do faraó. Os soldados musculosos invadiam casas, destruíam comércios, tudo debalde, para desentocar Goldas. Foi somente três dias depois do início das buscas que Goldas finalmente fora descoberto na tapera de Hauam, o negro por quem era fascinado. Ambos foram levados ao trono para a derradeira sentença.

Já ajoelhados e amarrados defronte ao rei, este determinou a imediata decapitação dos dois cúmplices. “Meu soberano, de minha boca a rainha Raquel jamais ouvirá qualquer palavra que o denigra! Creia em mim!” implorava Goldas, mas o faraó, irredutível, não renunciava ao seu veredito.

O príncipe Arthur, que havia se apaixonado pelo negro bem dotado, interveio ao pai para que o poupasse. “Por favor, meu pai! Não podes condenar Hauam por algo que não fez!”. Contudo Sahalli continuava a mostrar-se inexorável.

A rainha Raquel apareceu repentinamente no salão e todos voltaram-se para ela. Ela caminhou pelo comprido corredor que conduzia ao trono real. Sahalli a olhou, de cima a baixo, espantado; interpelou:

― Que fazes aqui? Não mandei te chamar.

― Queres condenar teu vizir e teu melhor guerreiro? Por quê? ― indagou de volta a rainha a olhar fixamente os olhos trêmulos do rei.

― São coisas que não lhe dizem respeito. Agora obedeça a mim, o seu rei soberano, e retire-se daqui.

― Meu rei? Tu és mais “rainha” que eu! Pensas que não vi tua orgia com aquele soldado bem dotado? Gemias como uma virgem nos braços de um macho. Quando Goldas o flagrou, eu já o observava há tempos.

O comentário da rainha chocou a todos. Um alvoroço se formou entre os soldados que murmuraram entre si. Todos tornaram a prestar atenção na rainha, que retomou seu discurso imperial:

― Tu és um adúltero e desviado, Sahalli. E tu sabes o que as leis prevêem para homens adúlteros. Portanto eu, como a faradisa deste reino, ordeno a tua imediata condenação.

De súbito, Sahalli foi agarrado por dois soldados musculosos e arrastado ao subterrâneo do palácio. Goldas e Hauam foram enfim libertados. Arthur, que ficara com o coração na mão, arreganhou-se num sorriso aliviado, galgou o dorso musculoso do negro Hauam abraçando-o com braços e pernas e deu-lhe um tímido beijinho. Goldas, que desatava as cordas de seu punho, não gostava nenhum pouco da animação do príncipe com seu amante musculoso.

No fim, Arthur foi obrigado a casar-se com uma mulher, mesmo contrariando sua vontade, e Goldas pode desfrutar de seu incomum enlace sexual com o negro Hauam, sempre às ocultas. A princesa Elenor apaixonou-se perdidamente pelo pintinho curto do soldado que a desvirginou e casaram-se naquele mesmo mês.

O faraó Sahalli, como previam as leis, foi condenado a ser estuprado por soldados e comerciantes bem dotados todos os dias, pela manhã, tarde e noite, até a data de sua morte. Ele, no fundo, vibrou-se com a sentença. “Melhor que ser casado contigo, Raquel!” berrava ele, lá do subterrâneo, enquanto levava rola grossa por trás.

Jesús Blasco, 20 de Fevereiro de 2016.

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